terça-feira, 27 de janeiro de 2009

ORDEM E PROGRESSO!!!!


Por não sofrer de nenhuma crise narcisista!!!!Eu não tenho idéia de como os "ratos" se comportam.Apenas posso imaginar;E imaginando vejo que deve ser horrível caminhar sem rumo dentro do própio mundo.Também imagino a necessidade de uma vida repleta e consagradora-(Aquele desejo filho da puta de tentar me causar inveja)-Mas como eu já disse,nenhuma crise narcisista me consome!!!
E convivendo em meio aos ratos,aprendi que o talento se desenvolve na solidão;O caráter no rio da vida!!!!

AOS RATOS,UMA DOSE DO MEU MAIS SABOROSO VENENO!!!!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

domingo, 4 de janeiro de 2009

A SUPOSTA EXISTÊNCIA.



Como é o lugar
quando ninguém passa por ele?
Existem as coisas
sem ser vistas?

O interior do apartamento desabitado,
a pinça esquecida na gaveta,
os eucaliptos à noite no caminho
três vezes deserto,
a formiga sob a terra no domingo,
os mortos,um minuto
depois de sepultados,
nós,sozinhos
no quarto sem espelho?

Que fazem,que são
as coisas não testadas como coisas,
minerais não descobertos-e algum dia o serão?

Estrela não pensada,
palavra rascunhada no papel
que nunca ninguém leu?
Existe,existe o mundo
apenas pelo olhar
que o cria e lhe confere espacialidade?

A guerra sem mercê,indefinida prossegue,
feita de negação,armas de dúvidas,
táticas a se voltarem contra mim,
teima interrogante de saber
se existe o inimigo,se existimos
ou somos todos uma hipótese de luta
ao sol do dia curto em que lutamos.

Concretitude das coisas:falácia
de olho enganador,ouvido falso,
mão que brinca de pegar o não
e pegando-o concede-lhe
a ilusão de forma
e,ilusão maior.a de sentido?

Ou tudo vige
planturosamente,à revelia
de nossa judicial inquirição
e esta apenas existe consentida
pelos elementos inquiridos?
Será tudo talvez hipermercado
de possíveis e impossíveis possibilíssimos
que geram minha fantasia de consciência enquanto
exercito a mentira de passear
mas passeado sou pelo passeio,
que é o sumo real,a divertir-se
com esta bruma-sonho de sentir-me
e fruir peripécias de passagem?

Eis se delineia
espantosa batalha
entre o ser inventado
e o mundo inventor.
Sou ficção rebelada
contra a mente universa
e tento construir-me
de novo a cada instante,a cada cólica,
na faina de traçar
meu início só meu
e distender um arco de vontade
para cobrir todo o depósito
de circunstantes coisas soberanas.

(Carlos Drummond de Andrade)